segunda-feira, 29 de junho de 2020

"Taxa de transmissibilidade reduz, mas isolamento social deve ser mantido", diz Governo do RN


Os dados da pandemia do novo coronavírus no Rio Grande do Norte nesta segunda-feira, 29, confirmam a redução da taxa de transmissibilidade da Covid-19 para um pouco abaixo de 1. A informação foi dada durante a coletiva de imprensa realizada de segunda a sexta-feira pelo Governo do RN.

Três pesquisas apontam a diminuição, como anunciou o professor Ricardo Valentim, coordenador do Laboratórios de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN e integrante do Comitê Científico de assessoramento ao Estado sobre a pandemia.

Os estudos são de responsabilidade do professor José Dias - que utiliza modelagem matemática -, do LAIS e dos professores Ângelo Roncalli e Kênio Lima, da UFRN. "São três metodologias diferentes que apontam redução da transmissibilidade que é o quanto um indivíduo é capaz de contaminar outros", informou Valentim. Embora neste momento a transmissibilidade tenha reduzido para menos de 1 – já ficou entre 1,5 e 2,1 –, há ainda alta pressão por leitos de UTI, mesmo diante deste quadro de redução apresentado nos últimos seis dias.

O coordenador do LAIS explica que há uma mudança no perfil da demanda por leitos. Os dados do Regula RN mostram que a média de 90 casos na fila aguardando internação em leitos críticos, vem se reduzindo. "Nosso monitoramento verifica aumento na indicação de pacientes para leitos do tipo clínicos - o que pode ser encarado de forma positiva pois é mais fácil ter estes leitos, já que eles demandam menos equipamentos e pessoal especializado".

O professor Valentim ressalta, contudo, que a sociedade não deve reduzir o isolamento social. "É preciso que todos, setor produtivo, Poderes e pessoas se mantenham solidários, respeitem as medidas protetivas e cumpram o isolamento. A doença ainda é muito agressiva", afirmou.

O secretário adjunto de saúde do Estado (Sesap), Petrônio Spinelli, ressalta que a redução da transmissibilidade influi no número de casos de Covid-19 e reflete o maior cuidado das pessoas com uso de máscaras e maior adoção das ações do Pacto pela Vida, iniciativa governamental que obteve a adesão de muitas prefeituras. "Iniciamos a semana com viés de baixa na ocupação de UTIs. Esta redução vem se configurando desde a semana passada, mas ainda é muito alta", afirmou.

A pressão maior por leitos críticos ocorre em Natal e região metropolitana que concentra 60% a 70% da demanda. "Por isso, o foco da Sesap, hoje, é a abertura de leitos no Hospital João Machado, em Natal, e no Hospital Regional de Macaíba", afirmou Petrônio, acrescentando que "a situação de hoje tem que continuar. Não é momento de sair do isolamento e distanciamento social, mas de responsabilidade das pessoas, instituições, empresas e poderes públicos de manterem isolamento e respeitarem as medidas de proteção".

Nos hospitais públicos, privados e filantrópicos estão internadas nesta segunda-feira 731 pessoas acometidas do novo coronavírus, sendo 378 em leitos críticos. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - custeados pelo poder público – os leitos críticos estão com taxa de ocupação de 90%. O percentual de leitos ocupados na região Oeste do estado é de 97%. Esse número chega a 100% em Guamaré, 95% em Natal e região metropolitana, 72,41% na região do Seridó e 54,5% em Pau dos Ferros. A fila de regulação tem 37 pacientes aguardando leitos críticos.

Os casos confirmados de Covid-19 somam 28.970. Há 42.230 casos suspeitos, 46.470 foram descartados, 994 óbitos foram confirmados (6 nas últimas 24 horas) e há 161 óbitos em investigação.

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